Instituição

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Queridos alunos e amigos do Sistemas Humanos.

No 2º semestre de 2015 colocamos em prática uma ideia que estava no ar: criamos nossa “ouvidoria”.

Adoro essa ideia... afinal acreditamos profundamente que a base de qualquer encontro fértil está no desenvolvimento da capacidade de escutar!

Nosso site tem o espaço do “Fale conosco”, mas queríamos “adensar” o canal de comunicação.

Colocamos uma urna em nossa recepção, para que de forma anônima pudéssemos ser contatados, e distribuímos a pesquisa para todos os alunos de nosso curso de formação. Foram entregues 34 questionários, envelopados, numerados, sem qualquer sinal que pudesse identificar as pessoas que respondessem. Recebemos o retorno de 21!

Claro que gostaríamos de ter recebido maior adesão, mas pensamos que este é um trabalho de construção desse canal de participação e, como primeiro movimento, foi de muita riqueza para nossas reflexões.

Para ler as respostas, propus organizá-las de forma que pudéssemos ter uma visão geral de cada item, ou seja, todas as respostas de uma mesma pergunta, e ao mesmo tempo, pudéssemos acompanhar a posição de cada participante ao longo de todo questionário. Uma fotografia individual (de cada participante) e uma fotografia geral (de todos os participantes) em cada pergunta.

Com essas informações fizemos uma reunião da equipe para podemos ler, pensar juntos, e caminhar no aperfeiçoamento do Sistemas Humanos.

Algumas reflexões surgiram a partir dessa leitura:

— Ouvimos um pedido de maior sistematização teórica e uma ampliação da carga horária para que não se prejudique o tempo de atendimento clinico e dos trabalhos com as vivencias grupais.

Entendemos que temos um desafio para ultrapassar pois nossa vivencia na sala de aula é frequentemente de dificuldade de motivar o aprofundamento das leituras e reflexões sobre o texto. Acreditamos que precisamos trabalhar melhor a construção dessa motivação, que se traduz por um pedido ao lado de uma dificuldade.

— Ouvimos que nossos alunos entendem que o Sistemas Humanos baseia sua formação no desenvolvimento da pessoa do terapeuta, e assim, no espaço especial para a vivencia grupal e para as ressonâncias acordadas na própria história.

Percebemos no entanto que em alguns momentos os alunos não se sentiram suficientemente “sustentados” nesse caminho de autoconhecimento e abertura das próprias mochilas, junto à abertura das mochilas dos demais participantes, sejam colegas, sejam professores, Acreditamos que o aprofundamento de nossos recursos nesse caminho, com o qual nos identificamos, seja muito importante e procuraremos estar ainda  mais atentos e comprometidos nessa direção.

— Ouvimos uma grande satisfação com relação ao atendimento clinico e à abordagem da interlocução clinica. Nesse item apareceu a maior convergência de avaliações acima da média. Quando apareceram queixas foram referentes ao pedido de uma melhor organização do “banco de famílias” e o desejo de maior numero de atendimento de casais, e melhorias na parte técnica da sala de atendimentos.

Essas sugestões nos foram muito úteis e providenciamos a melhoria do som e do banco de dados, ficando a pintura e o mobiliário adiados para quando for possível esse investimento.

— Ouvimos que nossos alunos estão divididos com relação à metodologia do ensino teórico, mas existe uma voz forte em comum que fala da importância da união do aprofundamento teórico,com ênfase nas leituras e seminários, com o espaço vivencial profundo e cuidado.

— Ouvimos que nossos alunos dão ênfase ao clima das relações dentro do grupo, e avaliaram, com quase unanimidade, com nota máxima, a relação entre professores e alunos.

Percebemos que quando surgiram tensões entre os professores isso foi sentido de forma forte e apareceram avaliações piores e sugestões para que os professores dessem atenção a essas dificuldades dentro da equipe.

Quanto a relação entre os colegas e ao clima de cada grupo notamos que a grande maioria sentiu a experiência como boa, mas que algumas pessoas mostraram desconforto, o que significa para nós a necessidade de uma atenção maior nos momentos mais difíceis do grupo.

— Foi muito interessante “ouvir” através das notas que nossos alunos nos deram como formadores. Conversamos muito sobre nossas avaliações! Alguns alunos contribuíram também escrevendo sobre cada professor e apontando as dificuldades que notaram.

Para encerrar esses comentários: percebemos que as queixas que apareceram fazem sentido para nós e estão relacionadas a duas observações importantes: necessidade de espaço e tempo para o aprofundamento teórico e atenção maior dos formadores para as situações emocionais do grupo e para as relações dentro da própria equipe.

Sentimos muita satisfação ao perceber que nosso caminho, centrado no desenvolvimento da pessoa do terapeuta (incluindo professores e alunos) e na construção conjunta do conhecimento, criou raízes, é uma marca do Sistemas Humanos e com a ajuda dessas reflexões poderemos aperfeiçoar a cada vez mais nosso instituto.

Um grande abraço

Sandra Fedullo Colombo

Ouvidoria.


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