Notícias

Escrito por Publicado em Notícias

INÍCIO: 04/03/2016
DURAÇÃO: 3 ANOS
CARGA HORÁRIA: 4 HORAS/AULA SEMANAIS
HORÁRIO: SEXTAS-FEIRAS DAS 8H ÀS 12H
 
Dirigido a profissionais das áreas de humanas, saúde e educação interessados ou envolvidos no trabalho com famílias.

Não perca esta oportunidade para ampliar seus conhecimentos, sua visão e experiência como profissional.
Matrículas:  (11) 5505-8911


Para mais informações, visite nosso site: www.sistemashumanos.org 
 


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PARA REFLETIR
 

“Do terapeuta e do formador pede-se que sejam peregrinos, pois o peregrino mais que o andarilho traz a dimensão da construção do significado e a busca de energias escondidas que serão re-significadas para uma transformação. O emergir da singularidade é para mim o sagrado.”
 
Sandra Fedullo Colombo

Em busca do sagrado
 
Escrito por Publicado em Notícias
INÍCIO: 04/03/2016
DURAÇÃO: 3 ANOS
CARGA HORÁRIA: 4 HORAS/AULA SEMANAIS
HORÁRIO: SEXTAS-FEIRAS DAS 8H ÀS 12H
 
Dirigido a profissionais das áreas de humanas, saúde e educação interessados ou envolvidos no trabalho com famílias.

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PARA REFLETIR
 

“Do terapeuta e do formador pede-se que sejam peregrinos, pois o peregrino mais que o andarilho traz a dimensão da construção do significado e a busca de energias escondidas que serão re-significadas para uma transformação. O emergir da singularidade é para mim o sagrado.”
 
Sandra Fedullo Colombo

Em busca do sagrado
 
 
23 Dezembro 2015

UM CONTO NATALINO

Escrito por Publicado em Notícias

“Era uma manhã fresca e transparente de primavera. Parei o carro na luz vermelha do semáforo. Olhei para o lado – e lá estava ela, menina, dez anos, não mais. O seu rosto era redondo, corado e sorria para mim. “O senhor compra um pacotinho de balas de goma? Faz tempo que o senhor não compra…” Sorri para ela, dei-lhe uma nota de um real e ela me deu o pacotinho de balas. Ela ficou feliz. Aí a luz ficou verde e eu acelerei o carro, não queria que ela percebesse que meus olhos tinham ficado repentinamente úmidos.
Quando eu era menino, lá na roça, havia uma mata fechada. Os grandes, malvados, para me fazer sofrer, diziam que na mata morava um menino como eu. “Quer ver?”, eles perguntavam. E gritavam: “Ô menino!” E da mata vinha uma voz: “Ô menino!” Eu não sabia que era um eco. E acreditava. Nas noites frias, na cama, eu sofria, pensando no menino, sozinho, na mata escura. Onde estaria dormindo? Teria cobertores? Os seus pais, onde estariam? Será que eles o haviam abandonado? É possível que os pais abandonem os filhos?

Sim, é possível. João e Maria, abandonados sozinhos na floresta. Os seus pais os deixaram lá para serem devorados pelas feras. Diz a estória que eles fizeram isso porque já não tinham mais comida para eles mesmos. Será que os pais, por não terem o que comer, abandonam os filhos? Será por isso que as crianças são vistas freqüentemente na floresta vendendo balas de goma? Será que havia balas de goma na cesta que Chapeuzinho Vermelho levava para a avó? Será que a mãe de Chapeuzinho queria que ela fosse devorada pelo lobo? Essa é a única explicação para o fato de que ela, mãe, enviou a menina sozinha numa floresta onde um lobo estava à espera.

Num dos contos de Andersen uma menininha vendia fósforos de noite na rua (se fosse aqui estaria num semáforo), enquanto a neve caía. Mas ninguém comprava. Ninguém estava precisando de fósforos. Por que uma menininha estaria vendendo fósforos numa noite fria? Não deveria estar em casa, com os pais? Talvez não tivesse pais. Fico a pensar nas razões que teriam levado Andersen a escolher caixas de fósforos como a coisa que a menininha estava a vender, sem que ninguém comprasse. Acho que é porque uma caixa de fósforos simboliza calor. Dentro de uma caixa de fósforos estão, sob a forma de sonhos, um fogão aceso, uma panela de sopa, um quarto aquecido… Ao pedir que lhe comprassem uma caixa de fósforos numa noite fria a menininha estava pedindo que lhe dessem um lar aquecido. Lar é um lugar quente. Pois, se você não sabe, consulte o Aurélio. E ele vai lhe dizer que o primeiro sentido de “lar” é “o lugar da cozinha onde se acende o fogo.” De manhã a menininha estava morta na neve, com a caixa de fósforos na mão. Fria. Não encontrou um lar.

Um supermercado é uma celebração de abundância. No estacionamento as famílias enchem os porta-malas dos seus carros com coisas boas de se comer. “Graças a Deus!”, eles dizem. Do lado de fora, os famintos, que os guardas não deixam entrar. Se entrassem no estacionamento a celebração seria perturbada. “Dona, me dá uns trocados?” O menino estava do lado de fora. Rosto encostado na grade, o braço esticado para dentro do espaço proibido, na direção da mulher. A mulher tirou um real da bolsa e lhe deu. Mas esse gesto não a tranqüilizou. Queria saber um pouco mais sobre o menino. Puxou prosa. “Para que você quer o dinheiro?” perguntou. “Prá voltar prá onde eu durmo.” “E onde é a sua casa?” “Não vou voltar prá casa. Eu não moro em casa. Eu durmo na rua. Fugi da minha casa por causa do meu pai…”
Em muitas estórias o pai é pintado como um gigante horrendo que devora as crianças. Na estória do “João e o pé de feijão” ele é um ogro que mora longe, muito alto, nas nuvens, onde goza sozinho os prazeres da galinha dos ovos de ouro e da harpa encantada. Mãe e filho, lá embaixo, morrem de fome. Por vezes as crianças estão mais abandonadas com os pais que longe deles. Como aconteceu com a Gata Borralheira. Seu lar estava longe da mãe-madrasta e das irmãs: como uma gata, o borralho do fogão era o único lugar onde encontrava calor.

15 Dezembro 2015

POEMA SISTÊMICO

Escrito por Publicado em Notícias

Que curso é esse que concilia formações anteriores tão distintas,
profissionais de áreas tão diversas
e suas experiências pessoais
com a atual formação?

Que curso é esse que forma pro trabalho e pra a vida?
Mescla prática e teoria,
promove trocas tão especiais.

Apresenta conteúdos de formas tão diversas :
um texto, um filme, uma dinâmica;
um vídeo de atendimento, uma dramatização.
Tudo pode ser insumo.

Sentimentos transformados em desenhos ou palavras,
histórias vividas há muito tempo,
acontecimentos de hoje.
O próprio momento da aula, uma festa de casamento!
Tudo isso pode ser insumo.

Que curso é esse que dá ênfase a perguntas e não a afirmações?

Que garante o espaço aos diversos olhares,
aceita que cada um mergulhe no novo a seu tempo
e a partir de suas próprias crenças.

Que curso é esse?

Houve quem dissesse se tratar de uma formação de desenvolvimento pessoal, disfarçada de formação de terapeuta familiar, J.
Porque ele é tantas coisas ao mesmo tempo!

E porque difere de outros cursos
podendo ser, simplesmente, ele mesmo,
nos desafia e nos provoca.
Propõe e exige reflexão.

Nos faz sair pensando, sair tocados, sair mexidos
... e nos faz voltar.
Porque é tantas coisas ao mesmo tempo.

Um lugar imenso, uma viagem, uma ilha desconhecida;
e um casulo aconchegante para crescer.
Uma pista sinuosa e iluminada
sobre a qual o nosso íntimo infinito
dança com cada coisa que a gente aprende.

E o que a gente aprende nos transforma,
transforma nossos atendimentos,
nossa clínica, nosso trabalho – seja ele qual for.

Transforma nossas relações em toda parte,
na rua, na família, em nossa maior intimidade;
nas conversas com os outros e com os nossos botões.

Exige de todos tempo, entrega, disponibilidade;
perseverança para lidar com as dificuldades
surgidas no enfrentamento do novo;
fôlego emocional pro contato com questões internas
e coragem para olhar pra dentro.
Cada vez mais.

Pode provocar receio
e o receio pode virar impedimento.
Porque são tantos novos saberes e sentimentos ao mesmo tempo.

Nos encontros e desencontros,
a convivência e a intimidade trazem consigo as dificuldades;
e, por vezes, desavenças.
Pedaços do amadurecimento, criam vida,
emergem das próprias relações.
Porém sem viver os conflitos, nadamos na superfície
em uma relação que até parece, mas não é.

Nenhum amor é apenas cor de rosa.
O preto, o roxo, as outras cores também tem o seu lugar.

O jeito é administrar da melhor maneira,
tecer o vínculo com carinho,
fortalecer a confiança nas duas pontas,
criando espaço pras diferenças.
Pra que caibam, possam aflorar.
E ficar.

Foi assim!
Fomos acolhidos com cuidado,
pra depois podermos fazer do mesmo jeito.

E ao compartilhar segredos, nos agregamos,
nos constituímos, realmente, como grupo.

E participando desse grupo, somos tantas coisas ao mesmo tempo.

Somos alunos, somos professores;
somos seres em transformação.
Somos complexos, somos vibrantes;
somos, acima de tudo, inteiros.

Inteiros incompletos aprendendo tanta coisa ao mesmo tempo.

Coisas que nos põem de ponta-cabeça,
nos fazem refletir, revisitar;
revisar os nossos jeitos, as nossas maneiras
de conhecer e lidar com os velhos mundos.

Aprendemos a desmistificar o estabelecido,
misturar o azul e o vermelho,
apagar o certo e o errado,
arremessar no lixo os “não-podes”
em busca de possibilidades.

Aprendemos a olhar para o universo
com nossa singularidade,
enxergar as redes de relações entrelaçadas e mutantes,
entender que a única constância é a mudança,
e a única certeza, a relatividade.

Os novos saberes nos fazem perguntas
e nos ensinam a perguntar.
Perguntas que mexem com os outros,
perguntas que aliviam, que incomodam,
perguntas abertas, fechadas, circulares.

Aprendemos que, na ética das relações,
nenhuma palavra é inocente;
têm objetivos e intenções precisas;
preciosas, perigosas.

Aprendemos a escutar o que não foi dito
e a ler o que não está escrito.
O nosso papel é ampliar.

Hipotizamos, rehipotizamos,
investigando de forma atenta e circular.
Não podemos entrar no jogo sem perceber.
O nosso papel é liderar.

Atentos à neutralidade,
equilibrando as alianças, sem coalizão;
aprendemos a acolher a pessoa enquanto atacamos a função.
O nosso papel é mediar.

É multiplicar os caminhos,
aproximar qual seja a diferença,
validando, igualmente, as diversas possibilidades.

Reconfortamo-nos e angustiamo-nos diante de um cardápio infinito de verdades.

As novas demandas provocadas,
internas e relacionais,
nos impõem, inevitavelmente,
um novo e complexo paradigma.

Relacionamos esse novo paradigma ao universo da terapia familiar.
Trazemos um cuidar no lugar da cura,
uma diferença no lugar da doença,
e muita conversa em vez de avaliação.

Enxergamos o terapeuta como um ser demasiadamente humano.

Um regente experiente, sim!
Promovedor de novas formas de relacionamento.
Um ser que usa sua sabedoria e sensibilidade
para ampliar entendimentos e percepções.

Alguém que trabalha em cooperação,
ilumina cantos que não se viam,
ressignifica vivências,
modifica sentimentos e atuações.

Um ser lindamente humano.

Alguém que se vê igualmente imperfeito,
que utiliza a seu lado humano
para trabalhar o outro humano.
E que também precisa ser
cuidado como humano.

Um ser complexamente humano.

Alguém que se satisfaz com sua própria humanidade,
um ser consciente de seus limites e subjetividades.
Que, por isso, atende sempre a um pedido.
Busca por padrões mais prazerosos de convivência,
porém, sempre inclui a família na resolução do que ela considera seus problemas.

Alguém que não controla, apenas conduz,
porque se sabe completamente humano.

Quando se trata de sistemas humanos,
prazos e tempos são indeterminados.
Mesmo diante de um novo entendimento,
o tempo de alteração dos padrões não pode ser planejado.

Porque mudanças têm sua própria autonomia,
podem ser muito imprevisíveis,
ocorrer assim ou assado.
E podem nem ocorrer!

Falamos de um processo muito mais do que complexo,
igualmente complexo ao pensamento sistêmico novo-paradigmático.

Com os óculos desse novo pensamento,
não mais vemos o mundo tal como é;
mas, sim, como nós o percebemos.
Cada um com direito à própria verdade.

Porém,
para que nos déssemos conta,
foi preciso observar atentamente
o nosso próprio olhar.

Habitando esse novo paradigma,
entendemos que só existimos a partir dos encontros que realizamos.
Você não existe sem mim,
assim como eu não existo sem você.

Nosso grupo não existe sem Denise,
sem cada um de nós, nem sem Janice.

Habitando esse novo paradigma,
aprendemos o quanto a certeza pode ser cruel e fatal.
Solitária, excludente, reducionista,
ela invalida a outra parte.
Faz o outro virar nada.

E sem o outro,
o eu se transforma em alguma coisa que não combina com esse novo mundo.

Um mundo tecido ao longo dos tempos, por Pauls, Monys, Marias e Maturanas.
Onde tudo emerge nas relações,
nos diálogos permitidos e possíveis;
onde o saber do grupo se faz no conversar,
no encontro das diversas vozes, dos múltiplos logos e dos variados tons;
no jeito que se misturam e se coordenam,
sob os também inúmeros focos entrecruzados de luz.

Um primeiro ano de curso deveras impactante !

Existe, sim, a possibilidade de se ficar angustiado;
pela exposição, pelo novo, pela diferença;
pela incerteza e
pela consciência de tanta complexidade.

Então,
aqui vão alguns avisos que nos parecem importantes :

1o Os aprendizados desse curso devem ser usados com moderação!
No manejo dos novos saberes, todo cuidado pode ser pequeno.

2o  Busque a mudança em si próprio – não no outro.
Quando eu mudo, as minhas relações mudam,
mudando, também, a posição do outro em relação a mim.

3o  Não basta reconhecer o outro; e o grupo.
É preciso observar como estamos inseridos;
como reagimos, como sentimos
e o que, em cada momento, é mobilizado dentro de nós. 

“Detalhe” :
Esteja aluno ou terapeuta,
o eu, a subjetividade e auto-referência estão sempre dentro da gente.

O mais experiente observador
incluirá sempre a si mesmo
nas observações que faz.
Não há observador independente.

As coisas que temos e vivemos,
enfim, que nos pertencem,
se engancham mesmo nas dos outros.
Não conhecemos outro jeito de ser!

Nossa ferramenta de trabalho somos nós.

Isso tudo,
e certamente mais um pouco,
compõe – a partir do nosso olhar - a arte de terapiar.

Muita técnica atrás da arte e muita arte ao redor da técnica.
É assim que a gente faz.

Aprendemos dançando cada passo dessa valsa :
o saber levar, o saber deixar-se conduzir,
o respeitar o ritmo de cada corpo,
devendo reconhecer as quietas pausas necessárias.

Aqui termina nosso poema coletivo,
nossa contribuição a essa jornada.
Mulheres, mulheres, homens, mulheres,
nos despedimos como trabalhamos.
Com afeto, admiração e respeito
e sob a ética inclusiva do amor.

Flavia Ribeiro de Castro (turma 2-13-2015)
2013