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2014 - Capítulo do livro Presença: uma Testemunha

Presença: uma Testemunha

SUZANNA AMARANTE LEVY

Introdução

Considerei muito interessante a ideia de escrever sobre o tema proposto neste livro: refletir sobre caminhos escolhidos pelo terapeuta, relacionados com sua história de vida. Foi necessário priorizar algumas ideias e deixar outras para trás, ainda que importantes - certa injustiça com minha história, principalmente com os homens de minha família. Espero que me perdoem.

Desde pequena, sou bastante curiosa sobre as histórias de família (os relatos familiares). Minha avó materna, boa contadora de histórias, narrava, com muita emoção, os acontecimentos da vida de sua família. Revivia momentos do seu passado, às vezes, com muito humor e alegria, outras vezes, com tristeza. Suas emoções davam o tom das histórias e, ao mesmo tempo, ensinava-nos, a mim e a meus irmãos, modos de ser, sentir, pensar etc.

Eu sempre prestei muita atenção nas suas expressões e nos seus olhos, ao contar fatos. Seu rosto, algumas vezes, transfigurava-se, quando lembrava situações difíceis que havia vivido, como as mortes de seus familiares, separações-circunstâncias que envolviam perdas. Desde essa época, passei a ter medo de perder e de separar-me dos meus familiares, pois imaginava que sentir saudades era muito doloroso. Acho que minha avó vivia com a dor da saudade e dos momentos do passado, e o presente não tinha tanta importância, como para mim, que o considerava um tempo único.

Atualmente, vejo minha mãe sofrer, também, de saudades dos meus irmãos, que moram fora do Brasil. A vida é muito curiosa, com episódios muito diferentes em cada época e, também, muito parecidos.

Outras histórias foram contadas pela outra avó, que vinha de uma cultura familiar muito diferente. Ela deixou seu país, seus familiares e veio casar-se no Brasil, não parecia sentir saudades. Suas histórias eram muito distintas; algumas vezes sobre acontecimentos com as famílias de amigos e parentes e, para ela, tudo parecia ser mais simples e dizia que tudo ia acabar bem. Os mitos e os valores de cada família e cultura sempre estiveram presentes, como pano de fundo das narrativas.

Os diferentes olhares e interpretações destas histórias de vida, os valores e maneiras de pensar muito distintas das duas famílias, em alguns momentos, criaram-me dificuldades para tomar minhas próprias decisões e, por outro lado, enriqueceram minha visão de mundo. Algumas frases dessas narrativas ficaram sublinhadas e adquiriram importância nas escolhas dos meus caminhos, na vida.

Os trechos das histórias, que me chamavam muito a atenção e, também, despertavam-me certo medo, eram os carregados de sentimentos e com as emoções vividas intensamente, que se repetiam em várias gerações. Quando havia paixões não correspondidas, sofrimentos que duravam a vida inteira, brigas familiares e outras situações tensas, que pareciam sem solução, como se fosse um destino já traçado, fazia-me pensar em outros finais para aquelas histórias. Acredito que a escolha de minha profissão tenha vindo da necessidade de reescrever outros finais, ou seja, de ser dona da própria história. E, percebo que isto reflete na maneira de ser terapeuta, porque ajudo meus pacientes a ampliar seus olhares sobre suas vidas, suas possibilidades de ação e, principalmente, de autoria.

Trajetória profissional

Iniciei minha prática profissional em 1986, após a faculdade de Psicologia, quando ainda freqüentava o curso de Terapia Psicomotora, pós-graduação no Sedes Sapientiae. Nessa época, estava casada e tinha um lindo bebê. Na minha clínica, atendia crianças numa abordagem psicanalítica e junguiana, buscando integrar corpo e mente. Em casa, acompanhava o desenvolvimento de minha filhinha. A experiência de minha mãe, como psicomotricista, que trabalhava muito bem com crianças portadoras de dificuldades psicomotoras, despertou-me interesse no trabalho com o corpo. Ela contava que, quando pequena, tinha sido muito pouco estimulada nesta área e havia sofrido com isso - o que, certamente, colaborou na formação do vínculo com seus pequenos pacientes, que com rapidez melhoravam sua motricidade e em suas dificuldades emocionais. Sua maneira de atendê-los, sua responsabilidade, sua energia e seu entusiasmo, que sempre estão em tudo que faz, serviram-me de modelo de vida. Devo muito a ela, todo incentivo para lutar pelo trabalho, para ser independente e, também, para enfrentar medos e situações difíceis.

Aproveitei muitos ensinamentos sobre o corpo, técnicas de relaxamento com o professor Pethor Sandor. Em casa, aprendia a cuidar de um bebê, a conhecer de perto o desenvolvimento de uma criança, a ser mãe, a desenvolver uma continência emocional e a construir meu casamento. Eram os tempos em que atendia crianças e adolescentes, com uma abordagem terapêutica que se definia, em particular, na relação paciente e terapeuta, a partir do inconsciente, da análise e interpretação de conteúdos internos, de vivências primitivas e das relações de transferência, trazidas pelo paciente, com o objetivo de tornar conscientes os conteúdos reprimidos. Nessa proposta, minha escuta orientava-se para o conteúdo da história do passado e do presente e, também, a relação com o corpo; utilizava brinquedos, material gráfico, jogos, dramatizações e outros materiais. Tinha muito interesse pelos sonhos e fui aprofundar meus conhecimentos na teoria junguiana, que me ofereceu uma riqueza de símbolos e interpretações e ampliou minha compreensão da terapia e dos sonhos, cuja linguagem uso até hoje, como recurso terapêutico. Atualmente, não me prendo aos símbolos para compreendê-los, mas no significado criado pelo seu autor e por qualquer membro de sua família, se for uma terapia familiar.

Fazia entrevistas com os pais das crianças e, durante o tratamento, chamava a família, com muita frequência, porque percebia que as dificuldades delas estavam relacionadas com as histórias familiares. Adotava, nesses encontros, além da observação, uma conduta pedagógica fundamentada nas teorias de desenvolvimento, com uma proposta de orientar e conhecer a família, porém não sabia aproveitar os recursos que ela podia oferecer. Parecia simples ensinar determinado modelo de conduta aos pais em relação a seus filhos e, quando havia dificuldades na mudança de comportamento, os terapeutas consideravam como resistências, ou boicote dos pais para seguir o exemplo, considerado "correto", aparentemente simples e bem fundamentado, e que nos levava a crer na existência do que é bom, do que é saudável e do que não é adequado para o desenvolvimento da criança e da família - uma prática sustentada por exemplos, que proporcionavam segurança e davam, ao terapeuta, um saber mais valorizado do que a experiência vivida pela família, orientações dadas aos pais, que pareciam concordar com as teorias, muitas vezes já conhecidas por meio de livros e revistas. O que os impedia de seguir aquele modelo? Quais eram os impedimentos? Mudar um comportamento envolvia uma complexidade muito maior.

Comecei a dar conta desta complexidade, em especial quando se tratava de negligência ou violência física contra a criança, por parte dos familiares. A terapia individual não era suficiente e não cabia à criança, ou ao adolescente, a responsabilidade e a possibilidade de transformar a situação vivida. Em alguns casos, quando o paciente se desenvolvia e não apresentava mais o sintoma que o havia levado à terapia, a família relatava o aparecimento de algum problema, nem sempre o mesmo, em outro filho. Enfim, transitava para outra pessoa da mesma família. Por quê?

Ao pesquisar as relações familiares, buscando compreender os processos de mudança e os deslocamentos de sintomas, passei a questionar aquela maneira de atender, individualmente, as crianças, assim como desconhecia trabalhos com famílias e cursos de formação em terapia familiar. Nessa época, fui procurar, para minha família, uma terapeuta familiar, com enfoque psicanalítico. Com mais um bebê em casa, senti necessidade de uma ajuda, para rever meu casamento e minha relação com meus filhos, ainda pequenos, além de também conhecer de perto o que era uma terapia familiar. Foi uma grande experiência que nos ajudou, a mim e a meu marido, rever nossas histórias familiares e papéis de pai e mãe, homem e mulher. Temas como transgeracionalidade, intergeracionalidade e transmissão psíquica inquietaram-me e resolvi estudar com mais profundidade.

Tive, então, o privilégio de conhecer uma terapeuta que trabalhava com famílias, numa abordagem sistêmica: Sandra Fedullo Colombo, na época, terapeuta dos meus pais. Fui convidada a participar de um encontro com minha família de origem e senti um certo receio, porque estariam presentes três gerações da família.

Seu trabalho encantou-me, assim como sua maneira de conversar, ouvir e valorizar o pensamento de cada um de nós, sobre os problemas e as dificuldades que a família enfrentava, sem que houvesse uma ideia melhor que a outra. Percebi que podíamos falar de várias realidades e não somente de uma, o que ampliou minha existência - medos e angústias podiam ser repartidos, sem sentimentos de vergonha. Gostei muito daquele jeito de fazer terapia e resolvi seguir a rota.

Iniciei meus estudos sobre relações familiares. Conhecendo melhor o funcionamento de uma família, tornava-se cada vez mais difícil atender crianças, individualmente Considero muito importante, na minha prática clínica, a experiência de estudar e fazer terapia com minha família, pois o conhecimento da teoria sistêmica foi transformando minha compreensão do mundo e minhas narrativas. Mais tarde, comecei a formação em Terapia Familiar, no Instituto de Terapia de Família de São Paulo (ITF-SP).

A compreensão do pensamento sistêmico representou uma mudança de paradigma, não só em minha vida pessoal, como na prática clínica. À medida que passou a configurar outro sistema de pressupostos, ou seja, outra lente, passando do indivíduo para os sistemas humanos, ampliaram-se as fronteiras para a compreensão dos problemas, dos processos de mudanças e do indivíduo. Essa nova maneira de pensar modificou, completamente, a forma de encarar os problemas, de ver a vida e de contar histórias. Minha clínica cresceu muito nesse momento, conheci muitas pessoas, professores, novos amigos e, quando terminei a formação em terapia familiar, fui convidada a dar algumas aulas no ITF-SP e supervisão no Centro de Estudos e Assistência à Família (CEAF).

Nessa época, 1998, fui convidada a trabalhar em um projeto, que estava nascendo, num contexto de pobreza: famílias moradoras de favela e que carregam este estigma, a marca de serem favelados, uma identidade. A proposta era construir, juntamente com a comunidade, um espaço de acolhimento para crianças e famílias, cujas necessidades não conhecíamos a fundo, mas observamos as situações em que viviam, naquele contexto sociocultural, de exclusão social, de injustiças e de falta de recursos básicos de sobrevivência, com muitas histórias de violência. A precariedade dos recursos socioeconômicos e de moradia, o desemprego, a depressão, o sofrimento, além da violência, eram paralisadores e todos os sistemas envolvidos, desde a própria família, encaminhada para atendimento, quanto a escola, as fontes encaminhadoras e a própria equipe sentiam-se muito impotentes. A situação despertou-me curiosidade para investigar, com auxílio dos atendimentos clínicos e de grupos de conversas, de que forma ajudar essas famílias inseridas em um contexto, com alternativas desconhecidas pelos terapeutas e por si mesmas.

Com essa perspectiva, iniciei atendimentos na comunidade, com a proposta de conhecer suas histórias, que eram muitas, mas não percebiam qualquer valor nelas. Diziam "Quem é pobre não tem nada de bom para contar”. Conversar também era uma grande dificuldade. Discutiam, agrediam-se e ninguém ouvia o que o outro dizia. Quando conseguiam contar algum fato da vida, podiam perceber o valor de suas experiências e compreendiam melhor seus atos, suas decisões. Suas histórias narravam muito sofrimento: os relatos de violência física, emocional e interpessoal, as situações de dor e perdas familiares, envolvendo mudanças de Estado, cidade, relacionamentos, empregos - temas freqüentes nessas famílias.

Lembro que, quando pequena, acompanhava minha avó na fazenda, visitando e ajudando famílias pobres. Ela realizava, na cidade, um importante trabalho social e sempre falava sobre as diferenças econômicas e as injustiças sociais. Até hoje, sinto necessidade de fazer parte de projetos que atendam famílias que não possuem condição financeira para investir em um tratamento.

O contar e o recontar histórias foram uma forma de apropriar-se da vida, de valorizar as vivências, de possibilitar a reflexão e facilitar novas construções e sentidos, favorecendo mudanças no sistema terapêutico.

As famílias também relatavam situações de extrema violência e foi necessário ampliar meus conhecimentos sobre esse tema. Fiz uma pesquisa que se tornou minha dissertação de mestrado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em 2005. Meu objetivo geral era investigar como alguns problemas ou situações, vividos pelas famílias, podem facilitar a coautoria da violência familiar. Outras Questões fizeram parte da investigação: como se constrói o padrão de relação com violência na família?; os traumas estão na coconstrução da violência familiar?; além dos traumas, que outras situações vividas pelas famílias colaboram para desenvolver esse padrão de relação?

Essa experiência de estudo e de pesquisa e os resultados desse trabalho ampliaram meus conhecimentos teóricos e práticos sobre o tema e, também, abriram-me os olhos para situações que, muitas vezes, fazem parte do cotidiano, porém não são caracterizadas como violência, embora destruidoras. Alguns autores, um deles foi Cecchin, trouxeram importantes contribuições que ajudaram na clínica, ampliando a visão da violência familiar.

Para Cecchin (1996, p. 241), "a violência é uma forma de relação entre pessoas", com dificuldade de manter uma conversação e diálogo, “a violência ocorre quando a conversação já não se sustenta". Essa forma de pensar sintetizava e, ao mesmo tempo, norteava minha prática clínica.

Fui desenvolvendo, na clínica particular e nos projetos sociais, principalmente como facilitadora da comunicação, uma maneira de atender famílias e casais com muitos conflitos e com situações de abusos e violência. Como proposta terapêutica, para atendimento familiar, tenho priorizado a criação de contextos de confiança, promovendo o reviver das histórias de vida e a construção conjunta de alternativas significativas para as famílias, possibilitando novos sentidos para a experiência vivida, mesmo com as dificuldades existentes no atendimento de famílias pobres, para quem o encontro terapêutico, as emoções e crenças familiares são transformadores. Nada difere da clínica particular, ou seja, de atendimentos com famílias de alta renda.

Desenvolvi programas preventivos de violência familiar, em instituições, além de cursos para terapeutas e trabalhadores sociais.

A vivência de ser terapeuta e de ser íntimo da dor humana é um desafio, mas quando se tratam de famílias pobres, que não se caracterizam somente por carência de renda e precariedade de moradias, mas por desigualdade, injustiça social e, além disso, pela exclusão social e pelo difícil acesso às oportunidades e necessidades sociais básicas, o atendimento clínico não é suficiente. É preciso que o terapeuta esteja inserido em uma rede protetora e que facilite o acesso das famílias a ela.

A violência não aparece apenas em famílias pobres; está presente e é freqüente em todos os contextos socioeconômicos. Contudo, a experiência que tenho na clínica particular é de que a maioria das famílias que procuram por terapia, ou quando encaminhadas, relata sintomas de menor risco, não evidentes, encobremna e abusos, que ficam muito bem guardados, são de difícil acesso. Nas famílias de baixa renda, tais situações são contadas por seus membros, em poucos encontros.

Olhar para a violência é poder ver o ser humano de forma mais ampla, seus recursos, suas dificuldades e a intensidade das suas emoções, de seus sentimentos, de seus traumas. Por um lado, o rótulo de trabalhar com esse tema me assustava, porque não queria ser conhecida como alguém que só lida com vivências de agressão, de conflitos. Revendo essa ideia, vejo que, diante dos estados de intensa emoção, de fato criei uma competência e um jeito tranqüilo, os quais colaboram no trabalho clínico com famílias, indivíduo, casais e grupos, em diferentes contextos socioculturais. As emoções intensas, em vez de afastarem-me das pessoas, conectam-me a elas. Hoje, vejo que a experiência de conhecer o ser humano, de forma mais abrangente, é poder vê-lo como ele se apresenta e como se relaciona Fazer parte de projetos sociais, e, principalmente, do Sistemas Humanos, curso de formação em Terapia familiar e casal, tem sido uma ótima oportunidade de conviver com equipes e com alunos, que me ajudam, diariamente, a atualizar-me, na teoria e na prática, assim como tem-me proporcionado recursos interessantes e novas maneiras de estar no mundo - um espaço para estudo, pesquisa e projetos, que constroem conhecimento.

Uma história sem fim

Não tenho um fim para esta história. O que sei é que amo meu trabalho e me dedico muito a ele e a minha vida familiar. Meu marido, meus filhos, meus irmãos e pais, enfim, toda a família ajuda-me, diariamente, a ver e rever minhas posições. Ser terapeuta, em minha opinião, é uma construção de vida e das relações. A cada momento da vida, tento vivê-la intensamente, sem economias de energia e emoções e, cada vez mais, cuidar melhor do outro e de mim mesma.

Atualmente, minha filha Juliana é psicóloga e está fazendo sua formação, em terapia familiar, no Sistemas Humanos - a terceira ou quarta geração de terapeutas na família. É uma felicidade e um orgulho vê-la escolhendo seu caminho.

_DEPOIMENTOS__

Sandra Fedullo Colombo

Fiquei muito feliz ao receber o convite de Suzanna, ela mora no meu coração! Falar dela é abrir memórias de muitos anos compartilhados, iniciados pelo interesse dela em dividir comigo seu aprofundamento nas dinâmicas do atendimento a famílias, pois recém-saída da faculdade, sua sensibilidade apontava um caminho que exigia incluir as famílias em seus atendimentos, assim como se debruçar nas histórias de sua própria família.

Somos companheiras dessa linda viagem; durante mais de 20 anos nos encontramos quinzenalmente, eu, ela e Adriana Fráguas, para conversar sobre nossos casos clínicos, nunca excluindo nossas famílias e experiências de vida. O que se iniciou como um trabalho profissional transformou-se em um compartilhar a vida, uma acompanhando a outra nas conquistas, amadurecimentos e dores.

O tecido de memórias que envolve minha história com Suzanna, é feito de momentos delicados e especiais! Posso lembrar a reunião de sua família, pais, irmãos e avó, ao redor do desafio de pertencer e se individualizar; nossas conversas clínicas procurando ampliar alternativas do viver; seu genograma e primeiros atendimentos; nosso convite, meu e de Janice Rechulski, a ela para fazer o curso de formação do formador para poder fazer parte da equipe do ITF-SP; e... quando a convidei para participar da fundação do Sistemas Humanos. Seu talento e dedicação sempre me encantaram.

Vê-la crescer em sua identidade como terapeuta familiar, de forma cada vez mais firme e delicada, desenvolver sua continência a situações humanas tão dolorosas e violentas encheu-me de admiração e orgulho! Não posso deixar de pedir a minha querida Suzanna sua autorização para poder considerá-la um pouco minha filha profissional!

Reconheço profundamente a terapeuta Suzanna quando escreve: “para o atendimento familiar, tenho priorizado a criação de contextos de confiança, pro-movendo o reviver das histórias de vida e a construção conjunta de alternativas significativas para as famílias.". E, ainda, "fui desenvolvendo na clínica particular e nos projetos sociais, principalmente como facilitadora da comunicação, uma maneira de atender famílias e casais com muitos conflitos e com situações de abusos e violência". Sou testemunha de como trilha esse caminho com extrema firmeza, presença marcante e muita ternura pela situação humana!

Não posso deixar de citar, ainda, sua energia imbatível; todas as coisas que faz têm a marca da dedicação e dos bons resultados; é estudiosa, envolve-se verdadeiramente com as questões sociais, com seus clientes, emociona-se com suas dores e suas alegrias, com seus alunos compartilha generosamente sua experiência, mas talvez, o aspecto que mais toca meu coração... seja a seriedade e o amor com que cuida de seus pais, irmãos e, acima de tudo, de seu marido, filho e filha!

Ao pensar em Suzanna penso em compromisso afetivo, família e generosidade. Ela não economiza suas riquezas afetivas! E é dentro desse terreno de afetos que devo agradecê-la por ter chorado comigo, a partida de Larissa.

Com muito carinho.

Heloísa Junqueira da Fonseca

Ainda estudante, já mãe, Suzanna, dia a dia, foi se entusiasmando e se dedicando à profissão.

Após terminar a faculdade, logo se interessou em fazer cursos complementares para poder escolher, com mais eficiência, o rumo a tomar, no campo tão amplo da psicologia.

No contato diário com ela, percebi alguns momentos que me pareceram mais marcantes em suas escolhas. Assim, ampliar os atendimentos, recebendo não só o paciente, mas também a família, foi algo que muito a entusiasmou.

Num segundo momento, o trabalho com pacientes de baixa renda, inclusive favelados, trouxe a ela um alto nível de satisfação e podiam-se notar seu empenho e sua completa dedicação.

Esses momentos a conduziram à escolha importante que orientou sua tese de mestrado: lidar com violência, em todos os níveis sociais e principalmente na família. Esse tema a tem fascinado, num movimento sempre acompanhado por dedicação e seriedade que, aliás, são as características sempre presentes em todo seu trabalho.

Família é algo que para Suzanna sempre teve uma importância muito especial, tanto sua família de origem como o núcleo familiar por ela formado. E nisso se engloba também, uma rede mais ampla, formada por amigos, aos quais ela também é sempre dedicada e colaboradora. Essa dedicação, esse apoio aos amigos e, em particular esse carinho aos membros familiares, são sempre oferecidos com alegria e desprendimento, e pode-se, portanto, notar que essa profissão, lidar com famílias, tem tudo a ver com sua personalidade, ajudando-a no processo de realização pessoal em todos os aspectos vitais.

Luiz Fernando Amarante Levy

Aproveito a oportunidade para fazer uma pequena homenagem à Suzanna por tudo o que ela representa em minha vida, tanto como pessoa quanto mulher. Não falarei do aspecto profissional por não me sentir com capacidade para tal e porque acredito que a comunidade terapêutica há muito já sabe da grande profissional que ela é.

Em abril de 1978, eu já trabalhava há alguns anos e havia acumulado uma pequena poupança. Estava na dúvida entre trocar de carro ou fazer uma viagem para conhecer um pouco da Europa. Optei pela viagem, sem saber que essa decisão significaria a grande guinada de minha vida. Nessa viagem, em julho de 1978, conheci Suzanna em Nice e, desde o primeiro momento em que a vi, me apaixonei. Tive, naquele momento, a certeza de que havia conhecido o grande amor da minha vida, a minha grande companheira de todos os momentos, minha grande paixão.

Quando retornamos a São Paulo, logo começamos a namorar, ficamos noivos e nos casamos em julho de 1981. Com o casamento passei a pertencer também à Família Fonseca dos meus queridos sogros, D. Heloisa e Sr. Edmundo e dos também muito queridos cunhados Evangelina e Bráulio. Após quatro anos já tínhamos nossos amados filhos Juliana e Guilherme.

Nesses quase trinta e um anos sempre fomos muito unidos e companheiros. Tivemos uma vida bastante intensa, com muito crescimento pessoal, profissional, familiar e muita paixão e amor.

Suzanna é uma pessoa intuitiva, generosa, amorosa, honesta, ética, comprometida, inteligente, leal, divertida, além de ser ótima esportista; ela adora o dia e tem os olhos verdes mais bonitos do mundo

Agradeço muito ao acaso por nosso encontro em 1978 e também agradeço muito à Suzanna, que é a pessoa mais importante da minha vida, por esses maravilhosos anos.

Ao meu grande amor, com admiração.


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