Publicações da Equipe

2014 - Capítulo do livro Em Cada Canto, um Conto e um Encanto

Em Cada Canto, um Conto e um Encanto

Adriana Mattos Fráguas

As palavras pertencem metade a quem fala, metade a quem ouve.

Montaigne, 1592

Considero oportuna, e da maior importância, essa proposta do Marcos em agrupar, num único livro, as diferentes histórias e depoimentos de terapeutas de família que desenvolveram e praticaram significantes modificações no atendimento das famílias brasileiras, construindo a História da Terapia Familiar no Brasil. Aceitar o convite para fazer parte desta publicação, compartilhando um pouco de minha história, ou seja, o registro de meu percurso profissional, ao longo dessas duas décadas, foi um grande desafio.

Para atender essa proposta, fiz um mergulho em minha trajetória, nas escolhas feitas e nos caminhos percorridos, nas pessoas que fizeram e fazem parte desse cenário, como terapeuta familiar e formadora - uma reflexão, meu norte e meu fio condutor.

O FIO CONDUTOR - FIO DE ARIADNE

Não se consegue escrever algo sobre si mesmo que seja mais verdadeiro do que aquilo que se é.

Essa é a diferença entre escrever sobre si mesmo e escrever sobre objetos externos. Escreve-se sobre si mesmo da sua própria altura, não apoiado em muletas ou andaimes, mas com os pés descalços

(Wittgenstein, 1937)

Quando pequena, escutava, atenta e fascinada, a história da escolha de meu nome. Meus pais contavam que tinham duas opções entre muitas, mas no meu nascimento, meu pai decidiu-se por Adriana e justificava, contando o Mito de Ariadne, que segundo ele, era quem apontava as saídas do labirinto. Achava muito lindo tudo isso e percebo, hoje, como fui construindo minha vida, buscando sempre as saídas possíveis.

Para iniciar, não posso deixar de pensar nas primeiras experiências de proximidade e intimidade com a saúde mental. Tive uma infância curiosa, responsável, até certo ponto, pelas escolhas profissionais que eu e meu irmão viemos a fazer: psicologia e psiquiatria. Quando nasci, meu pai, médico, era diretor de um grande hospital psiquiátrico do Estado. Naquela época, era necessário que o diretor e administrador morasse no próprio hospital. Não sei, ao certo, até que ponto esse compromisso acontecia por uma questão contratual, ou por uma dedicação e paixão vividas por meu pai, em prol da saúde mental no Estado de São Paulo. Minha mãe também trabalhava na instituição, numa área administrativa, o que, de certa maneira, contribuía para que o hospital fosse um prolongamento de nossa casa. Morávamos numa vila residencial que pertencia ao grande complexo. Nossa casa ficava num imenso terreno, com muito verde, pomar, horta e até um campinho de futebol e. em espaços contíguos, iam construindo quartinhos, que, aos poucos, eram ocupados por alguns residentes, que vinham morar conosco.

Minhas lembranças são permeadas pelo convívio próximo e íntimo com as pessoas internas do hospital. Elas iam, aos poucos, estabelecendo conosco uma convivência familiar, participando e compartilhando de todos os nossos momentos e comemorações. Demorei algum tempo para perceber que eram "diferentes" e tinham algumas excentricidades, registradas de maneira singular pelo meu olhar de criança. Foram carinhosas e presentes em todo esse tempo. Rostos desconhecidos que, aos poucos, iam tornando-se familiares e fazendo parte do meu repertório, meus companheiros, de jogos e brincadeiras infantis. Cada um tinha uma necessidade especial e sempre me esforçava para me lembrar disso e não os desagradar, apesar de não entender alguns porquês. Minha mãe orientava-nos para que tivéssemos sucesso em nossa convivência.

Aprendi com meu pai a olhar as capacidades, as competências e a especialidade de cada um, valorizando as singularidades, enfim, respeitando as diferenças. Aprendi, também, o significado da palavra ética, vivida na experiência de respeito, no encontro com aquelas pessoas que nos consideravam suas próprias famílias. Aprendi a olhar para o outro como ser humano, com aptidões, habilidades e algumas limitações que podiam ser compreendidas e aproveitadas.

Nos fins de semana, meu pai colocava, em sua vitrola, música clássica e todos vinham sentar-se na escadaria, na entrada da frente de casa. Eram momentos encantados, acompanhados pela magia da música. Ainda hoje, lembro desses momentos, quando consigo escutar minhas músicas, aos domingos pela manhã. No filme Out of Afríca (Entre dois amores), há uma cena que me remete a uma imagem registrada na memória, quando a melodia é apresentada na grande varanda e, aos poucos, os nativos, entre curiosos, assustados e encantados, aproximam-se e permanecem, ouvindo e comungando, num clima de intimidade.

Tecendo o lá e o aqui... a linha do tempo

Não tive dúvidas com relação à minha escolha profissional, quando busquei o curso de Psicologia, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SPJ, Havia recebido um legado de cuidar do outro e a possibilidade de entender e instrumentalizar-me para tal era fascinante. As teorias que me eram apresentadas, na formação, auxiliavam-me a nomear e ofereciam alguns contornos à minha história vivida. Fui entendendo alguns personagens e suas histórias, olhando para meu mundo com outras lentes, buscando diagnósticos e construindo pareceres. Para mim, as aulas de psicopatologia faziam um sentido único, especial, pois os casos descritos e os diagnósticos ensinados iam revelando pessoas conhecidas e familiares, vivências muito próximas e o que se mostrava como esquisito e diferente era conhecido. A primeira visita que fiz ao hospital como estudante, com meu grupo da faculdade, foi uma experiência curiosa: enquanto parte do grupo experimentava uma sensação de estranheza e certo receio pelo universo que se apresentava, eu estava literalmente voltando para casa e ansiosa por encontrar algumas pessoas, que, talvez, ainda morassem por lá, e pudessem lembrar-se de mim. Fazia quase seis anos que havíamos nos mudado para outra cidade.

Ao mesmo tempo em que encontrava exemplos vivos para as patologias estudadas, também ia clareando algumas "esquisitices", por exemplo: a Chiara, que nos ajudava na copa e não conseguia enxugar as mãos nem fechar as torneiras, obsessiva por limpeza, nossas louças ficavam impecáveis, um brilho só. Entendi os cuidados de minha mãe para que eu não insistisse em dar as mãos, nem tocá-la, pois ela não gostava - o diagnóstico de transtorno obsessivo-compulsivo ficou evidente; o João Lopes, fiel escudeiro, não dormia às noites, pois achava que devia defender nossa casa dos ataques dos inimigos. Tinha um apito e uma espingardinha de madeira, ficava a noite toda de prontidão, defendendo nossa família - era portador de uma psicose, com delírios persecutórios, provavelmente desencadeada pela Revolução de 1930; a Lurdes, uma verdadeira criança, brincava conosco de carrinho de rolimã, de subir nas árvores, uma das alunas mais assíduas nas minhas brincadeiras de escolinha. Muitos outros personagens fizeram parte do repertório da minha vida e fui, aos poucos, identificando e diagnosticando, clinicamente, no decorrer de minha formação.

Com o tempo, consegui também entender melhor uma frase, que muito me intrigava quando criança, inscrita em uma das paredes do hospital, de autoria desconhecida: "Nem todos que aqui estão, são. Nem todos que são aqui estão"...

Agradeço a essas pessoas maravilhosas que contribuíram e enriqueceram minha história e marcaram para sempre minha vida.

Na minha formação acadêmica, os estágios e complementações feitos direcionava-se para a atuação hospitalar; na área de psiquiatria - estagiei na Santa Casa, sob a supervisão do Prof. Enzo Azzi e em outra instituição psiquiátrica, atuando como psicóloga, complementando diagnósticos e fazendo intervenções. Hoje, tenho mais clareza com relação à minha busca por estudar mais profundamente uma área que me era familiar e, ao mesmo tempo, procurar algumas respostas a muitas questões que me acompanhavam desde menina.

Um novo tempo: responsabilidade e outro olhar

Depois de formada, minha ânsia de mais fundamentação teórica e o desejo de estudar, que me acompanham desde pequena, direcionaram-me para a área de terapia infantil e desenvolvimento. Fiz minha primeira especialização em psico-diagnóstico e atendimento de crianças, no curso de Terapia Infantil Psicomotora e Psicodiagnóstico, no Sedes Sapientiae.

Tive como mestres Petho Sandor e Ceres de Araújo. Sandor- lembro-me de suas aulas de Cinesiologia, mescladas e enriquecidas com apartes e histórias de outras terras, outros tempos, Hungria, pré e pós-guerra.

Juntamente com outros colegas, participei de alguns grupos de estudos orientados por ele e que se reuniam em sua casa. Estudávamos Mitologia, Astrologia, várias técnicas e exercícios de relaxamento, que se somavam com as aulas no Sedes.

Inaugurei minha atuação profissional com incentivo e supervisão da Ceres. Seu jeito delicado, sério e competente muito me ensinou, na arte de diagnosticar e buscar entender a dor das crianças e suas famílias. Com ela aprendi respeitar o sofrimento das pessoas e tentar traduzir as dores e os sintomas que as crianças estampavam em seus corpos, as dificuldades motoras e suas expressões complexas, em possibilidades de cuidado e crescimento. Minhas crenças de respeito para com o ser humano foram confirmadas. Segundo a Ceres, “nós somos um corpo e não temos um corpo".

Com o tempo, fui diminuindo os intervalos de sessões de orientação familiar, incluindo cada vez mais os pais no atendimento de seus filhos. Angustiava-me a presença deles na sala de espera, traduzida e vivida como impotência e inadequação. Era curioso também observar que algumas famílias voltavam depois de algum tempo, trazendo outros filhos para serem avaliados, com sintomas, às vezes, muito parecidos.

A necessidade de incluir os pais na sessão e convidá-los a sair da sala de espera era cada vez mais forte. Minhas inquietações e o desejo de fundamentar e aprimorar minha prática clínica, incluindo um olhar pára a família, conduziram-me até Sandra Fedullo Colombo, buscando ferramentas para lidar melhor com a angústia das famílias que me procuravam e também com a minha! Por intermédio de Sandra, seu conhecimento e sua experiência com famílias, fui apresentada à Teoria Sistêmica, a alguns autores pioneiros e, sob sua supervisão e orientação, iniciei meus estudos e primeiros atendimentos de família, pois naquela época, meados.de 1980, não existiam cursos de formação. Vivi, nesse momento, a mudança de pensamento linear para o novo paradigma, sistêmico. A partir daí, mudei minha abordagem e meu olhar para com as famílias que me procuravam. Já não buscava mais a causa de algum determinado sintoma, mas seu significado para aquele grupo familiar e como trabalhar para transformar e retomar o tempo paralisado. O sintoma, para mim, significava uma paralisia no tempo evolutivo e sinalizava alguma disfunção naquele sistema.

Aos poucos, fui ocupando outro lugar, o do terapeuta familiar.

Sandra foi uma pessoa importante nesse momento de minha trajetória, pois me apresentou um modelo de atendimento em que incluía todo o sistema familiar e, além disso, a pessoa do terapeuta, com sua história, que é a ferramenta mestra do trabalho terapêutico.

Quando o Instituto de Terapia Familiar de São Paulo (ITF-SP) foi fundado, a convite, e por sugestão de Sandra, fiz minha formação, buscando pertencimento em uma nova identidade profissional, ampliando minha rede e a oportunidade de aprofundar o estudo da teoria sistêmica e seus principais autores. Janice Rechulski também foi importante em minha formação: sua sabedoria silenciosa e discreta, seu jeito amoroso e respeitoso de doação e cuidado acolheram meu jeito de ser na relação. Aos poucos, fui me permitindo ser mais espontânea e afetiva nas relações terapêuticas.

Finalizei o curso e, em seguida, fiz a formação de formadora. Continuei no ITF, quando, em 2000. juntamente com Sandra, Janice e demais colegas, fundamos o Sistemas Humanos - Núcleo de Prática e Pesquisa Sistêmica. Foi confortável encontrar um grupo de pertencimento afetivo, com ideais afins e compartilhados, ou seja, nossa crença no significado da formação de terapeuta, considerando a importância do trabalho pessoal do aluno e sua história familiar, e também na construção artesanal, com vivências em pequenos grupos, criando intimidade e possibilidades de partilhar histórias e construir novas narrativas. O nascimento do Sistemas Humanos foi outro marco significativo em minha trajetória, inaugurando, oficialmente, minha atuação como formadora.

Esse lugar, que inclui as formações anteriores, mais a experiência agregada no decorrer dos anos de atuação clínica, é um lugar de privilégio, pela importância e responsabilidade em trabalhar com os alunos seu processo de vir a ser terapeuta, tecendo os fios de suas histórias, junto às tramas de suas famílias de origem, buscando tesouros, às vezes escondidos, ajudando-os a escrever novas narrativas, preparando e legitimando-os como terapeutas de família.

Dialogando com os autores

No início de minha atuação clínica junto às famílias, conhecer a teoria de Salvador Minuchin foi importante, com sua proposta estrutural e as noções de fronteiras, sistemas e subsistemas. Observar as famílias com um olhar para sua estrutura, os diversos subsistemas, as alianças e coalizões, o sistema parental e a fraternidade foi pedagógico e muito útil para minha formação.

Em 1990, conheci Alfredo Canevaro, num workshop em Buenos Aires e também senti-me familiar com sua abordagem trigeracional, incluindo avós e avôs e, algumas vezes, a família extensa. Já fazia esses convites no consultório. Aproximar-me do pensamento e maneira de trabalhar do Canevaro tranquilizou-me com relação a minha prática clínica, uma vez que, em meus atendimentos, considerava e convidava a família de origem, bem como gerações anteriores. Mais uma vez, encontrei-me num território familiar, pois tive uma avó muito presente em minha vida.

Carmine Saccu, na época, consultor do ITF-SP, apresentou-me um jeito delicado e interessante de trabalhar com crianças, o que aos poucos me ajudou a integrar, um pouco mais, minha bagagem e experiência anterior em ludoterapia, ao atendimento de famílias com crianças.

A oportunidade de ser supervisionada por Tom Andersen, em 1996, trouxe novos significados a minha prática: a delicadeza e o cuidado com que escolhia palavras para conversar com o outro, para que tivessem um sentido naquela conversação; o respeito pela escuta e pela linguagem na comunicação, grandes tesouros, imagens gravadas na memória, com saudade e gratidão. Tom Andersen considerava o outro importante e precioso, convidando-nos a cuidar da comunicação, que de tão valiosa, pode salvar-nos ou enredar-nos.

Mony Elkáím marcou alguns momentos significantes na minha atuação em cada vinda sua ao Brasil, reforçando meu referencial de que o maior legado de um terapeuta familiar é sua própria história, no encontro com o outro, na relação. Agradeço também ao Mony por ter sido supervisionada por ele e trabalhado meu mapa de mundo e minhas ressonâncias, no encontro com aquela família apresentada.

Aprendi, com Michael White, a importância da narrativa, a possibilidade de reescrever outras histórias e de transformar as narrativas saturadas com significados de dor e desesperança, em significados diferentes. Ele considera o sintoma como uma força externa, que não nos pertence e, assim sendo, somos capazes de enfrentá-lo e transformá-lo. À medida que surgem novas narrativas, as pessoas retomam a autoria de suas vidas.

Nesse percurso, pude conhecer outros profissionais, que contribuíram com minha maneira de ser e pensar profissionalmente. Maria Rita Seixas convidou-me para participar do grupo de atendimento de Transtorno Obsessivo-compulsivo (TOC), juntamente com Prof. Alberto Del Porto, na UNIFESP. Aprendi muito sobre o TOC e diversas maneiras de trabalhar com as pessoas portadoras de transtorno tão perturbador e suas famílias.

Atualmente, sou convidada como professora de Terapia Familiar e Transtornos Alimentares, no Curso de Especialização em Transtornos Alimentares e Obesidade, sob a coordenação de Dra. Marlene Monteiro da Silva e Niraldo O. Santos; também de Intervenções Sistêmicas, como uma alternativa de tratamento, no Curso de Especialização em Psicologia Hospitalar, coordenado pela Dra. Mara Souza de Lúcia, ambos no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

A OUTRA PONTA DO FIO...

Graduei-me em 1981 e, nesses 28 anos dedicados à prática clínica, fui percorrendo caminhos e buscando construir, com as pessoas e famílias, que me procuraram, um espaço de conforto e confiança que possibilitasse transformar suas dores e sofrimento em opções de crescimento. Iniciei como terapeuta infantil e lembro o quanto aprendi com as crianças que confiaram em mim e me legitimaram como uma pessoa que pudesse ajudá-las.

Em continuidade, busquei a formação em terapia familiar e a de formadora crescer e diferenciar-me numa família de psiquiatras, construindo uma história diferente, era meu desafio. Meu fio foi tecendo uma trama consistente, uma colcha de retalhos, trançando as experiências numa construção que traduz minha atuação clínica numa abordagem relacional sistêmica, considerando o intra-psíquico e o inter-relacional. Meu desafio permanente consiste em trabalhar as histórias das famílias e pessoas que me procuram, na construção de um contexto de confiança autorizando-as a serem originais, incluindo suas peculiaridades e competências. Percebo meu cuidado na direção de buscar o sagrado de cada um, seja na clínica, seja no processo de formação do aluno-terapeuta.

Acredito na transformação e no crescimento, por meio de relações afetivas, no encontro do terapeuta, com sua própria história e a família, numa construção conjunta, gerando um processo de trocas infinitas e crescimento mútuo. Cresci, aprimorei-me e aprendi com quem trabalhei foram pessoas especiais e importantes. em momentos preciosos de minha vida.

Da minha infância, trago o compromisso com a importância em identificar o sofrimento e a dor do outro, poder acolher, ajudar a transformar, enfim, imprimir outro olhar, que, em determinadas situações, é mais significante do que ter um diagnóstico.

Penso, sempre, que mais forte que a herança de meu nome. com o significado construído junto a minha família, tenho o legado de dedicação e seriedade no encontro com o outro. Trago, também, em minha bagagem, a esperança e uma visão otimista da vida, heranças de meu pai, que lidava com a vida sempre de bom humor, brincando e procurando alegrar a todos com seus ditos e ditados, frases gravadas para sempre em minha memória,

PUBLICAÇÕES

FRÁGUAS, A. M. Terapia familiar e depressão. In: FRÁGUAS, R. J.; FIGUEIRO, J. A. B. (eds.). Depressões em Medicina Interna e em Outras Condições - Depressões Secundárias. São Paulo: Atheneu, 2000.

FRÁGUAS, A. M. Terapia de casal quando um cônjuge está em depressão. In: COLOMBO, S. F. (ed.). Gritos e Sussurros. São Paulo: Vetor, 2006.

FRÁGUAS, A. M. Famílias e transtornos alimentares. In: OSORIO, L. C.; VALLE, M. E. P. (eds.). Manual de Terapia Familiar. Porto Alegre: Artmed, 2009.

DEPOIMENTOS

Renério Fráguas Júnior Apresentações

Uma saída, um caminho, uma luz.

Adentrar em uma nova experiência, percebendo o que não se via, vendo o que não se percebia.

Ver-se um pouco no outro.

Aquilo que nos é familiar e parece louco.

Transpor o sofrer, transformar o sentir.

Fazer da técnica um ato de atenção, cuidado e carinho.

A família reexistir.

Adriana é exemplo de pessoa, profissão e família.

Mais do que tudo, ainda é irmã.

Carmen Silvia C. Micheletti

Conheço Adriana Fráguas desde sempre, ou pelo menos é esta a sensação que tenho. Assim como eu, sei que todos que têm a felicidade de conviver com ela, seja no campo pessoal ou no profissional, sentem-se contaminados por sua enorme capacidade de enriquecer nossa vida.

Profissionalmente, tenho tido através dos anos a oportunidade de conhecer pessoas, famílias, jovens, crianças, que estiveram, ou estão junto com ela, em processo terapêutico, além de pessoalmente ter o privilégio de compartilhar de sua amizade.

Adriana é dessas raras pessoas que vai além de sua formação e vasta experiência profissional. Em sua singularidade, consegue aliar opostos e conciliar contradições, qualidades inestimáveis dentro de um trabalho terapêutico tão amplo, complexo e delicado como a terapia familiar. Sua intuição e capacidade de encarar a vida ao mesmo tempo com leveza e profundidade, com seriedade e bom humor com compromisso e liberdade, com alegria e sensibilidade, além da habilidade de raciocinar sem deixar de se emocionar, de acolher e delimitar, e a facilidade de transitar com espontaneidade por todo esse espectro refletem-se em um enorme poder transformador para todos que com ela convivem, seja no contexto profissional, seja no pessoal. Sua visão otimista do mundo se propaga e traz esperança e, assim, enriquece e acrescenta sempre um olhar renovador e mobilizador, extraindo o melhor de cada um que com ela convive, seja no consultório, seja fora dele.

Encontrar Adriana em nossa caminhada é como encontrar um lago azul profundo em meio aos obstáculos que atravessamos, e lá está ela, nos mostrando como procurar e atirar pedrinhas preciosas que ricocheteiam alegres e espalham seus ecos contagiantes sobre a superfície até repousarem como um tesouro no mais profundo de nós, deixando um rastro de alegria e possibilidades.

Sandra Fedullo Colombo

Os primeiros momentos do encontro podem ser muito significativos e inaugurar (augurar?) um longo caminho de trocas e crescimentol

Assim foi com minha querida Ariadne! Quando a conheci, jovem terapeuta, deveria ter 22 a 23 anos, encantaram-me a sensibilidade e a delicadeza com que atuava.

Tão jovem, era possuidora de um olhar profundo e respeitoso em relação à dor humana. Percebia-se sua intimidade com sua própria vida interior e com a do outro. Nada a assustava, parecia conter já muitas vidas de terapeuta.

Tempos depois, conheci sua história, ser filha de um conhecido psiquiatra e diretor clínico, tendo, desde pequena, vivido dentro de uma grande família comunitária, na qual se acreditava que as relações podiam construir a saúde e a doença: “aprendi a olhar o outro como ser humano, com capacidades e habilidades, e algumas limitações, que podiam ser compreendidas e aproveitadas."

Penso que esse legado familiar é uma de suas riquezas e, na sua atuação, como terapeuta e como formadora, traduz-se em sua maravilhosa continência e paciência na busca de tesouros escondidos nas relações.

Todos os alunos do Sistemas Humanos querem tê-la como formadora e as inúmeras situações clínicas que com ela compartilhei distinguem essa qualidade!

Não posso deixar de citar sua contribuição, tão integradora e consistente, quando pensamos nas atividades associativas. É um prazer tê-la como sócia e membro da equipe administrativa do Sistemas Humanos e colaboradora na Associação Paulista de Terapia Familiar (APTF) e na Associação Brasileira de Terapia Familiar (ABRATEF).

Em nossa longa e, para mim, deliciosa caminhada juntas, fui testemunha e companheira de seu desabrochar como terapeuta de famílias.

Sabe... quando você percebe o talento de um terapeuta ser autorizado pelo seu genograma, que tive o prazer de coordenar junto com Janice Rechulski, dentro do curso do ITF?

Compreendo profundamente quando Adriana diz que seu desafio foi crescer e diferenciar-se numa família de médicos psiquiatras, construindo uma trama consistente com sua atuação clínica numa abordagem relacional sistêmica, considerando o intra-psíquico e o inter-relacional, atravessando a busca do diagnóstico para a busca do significado.

À sua sensibilidade e intuição, que desde que a conheci me chamaram a atenção, soma-se um prazer enorme em estudar, principalmente se envolver situações clínicas. Mas, escrever... é um processo que a faz sofrer! Possui uma autocrítica feroz, que sempre lhe cochicha aos ouvidos que os “critérios científicos" não estão adequados! Que pena, ela possui uma riqueza ainda maior para nos oferecer!

Há mais de 20 anos nos encontramos quinzenalmente, junto com Suzanna Levy (nossa outra companheira) para discutirmos situações clínicas, trocarmos confidências, falarmos da vida! Momentos de crescimento e reflexão que nosso primeiro encontro já havia inaugurado e que se mantém vivo e estimulante até hoje. Reconheço completamente Adriana quando escreve:

Meu desafio permanente consiste em trabalhar as histórias das famílias e pessoas que me procuram, dentro de um contexto de confiança, autorizando-as a serem originais, incluindo suas peculiaridades e competências.

Percebo meu cuidado na direção de buscar o sagrado de cada um...

Penso que se precisasse resumir como a vejo como terapeuta realmente usaria as palavras confiança, respeito e acolhimento.

Quando, há alguns anos, fiz pela primeira vez a oficina Fio de Ariadne, em um evento da APTF, na gestão de Eliete Teixeira Belfort Mattos, Adriana disse-me que estava desejosa de participar, pois essa era a história mítica de seu nome. Nessa oficina tínhamos a oportunidade de entrar em nossos labirintos e tecermos nosso fio de Ariadne, que nos mostraria o caminho, e desse fio fazia parte uma carta, que escreveríamos para uma pessoa ou situação da qual precisaríamos nos despedir. Entre as imagens nas quais poderíamos escrever essa carta de despedida, existia uma, de uma menina de olhos claros, observando profundamente o interlocutor ao mesmo tempo que olhava para dentro de si mesma. Várias pessoas escolheram essa imagem, forte e tocante, e pensaram que era uma foto de Adriana, tal a semelhança observada; no entanto, era de minha filha Larissa, que com o passar dos anos se tornou muito próxima a ela. '

Como nada é por acaso... quero pedir licença a nossa Ariadne, condutora através dos labirintos, minha querida Adriana, para considerá-la, um pouquinho, Minha filha profissional!

Você faz parte da minha vida de uma maneira especial... a metáfora seria abraço apertado”... confiança, ternura, entrega, atenção, os ingredientes desse abraço.

Com muito carinho.


Facebook

Link Cadastros

Escolha um dos links abaixo e envio seu cadastro agora, é simples e rápido!

Cadastro Associados
Cadastro Artigos
Cadastro Conteúdo
Cadastro Eventos-Agenda
Cadastro Parceiros